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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

Tomada de Posição - Reflexões em volta do Dia Internacional da Mulher

05.03.16

Comemora-se por estes dias o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. A data, instituída no Congresso das Mulheres Socialistas de Copenhaga há bem mais de um século, é um momento de comemoração e de reflexão no duro e atribulado processo de emancipação das mulheres, sobretudo das trabalhadoras, em todo este largo período histórico. 

No que toca ao nosso país, temos sempre que valorizar o que o regime democrático saído da Revolução de Abril significou de avanços progressistas na situação das mulheres, sobretudo para as que formam a grande força de trabalho feminina do país.

Nestes 40 anos, novas gerações nasceram, se criaram e educaram, assistindo-se a uma alteração radical na situação das mulheres, na sua situação de facto e no plano jurídico, alteração que lhes reconheceu e consolidou direitos económicos, sociais, políticos e culturais, depois consagrados em vasta legislação de caráter avançado e progressista.

No entanto, é sempre necessário lembrar que muitos retrocessos se registam hoje em dia na condição das mulheres, sobretudo das mulheres trabalhadoras, e não só no nosso país, a cavalo na crise económica, social e moral que abala de forma crescente todo o sistema capitalista.

Assiste-se hoje, por toda a Europa, à perpetuação e ao ressurgimento de desigualdades e discriminações sobre as mulheres trabalhadoras, em grande número de profissões – desemprego massivo das mulheres, discriminações salariais, imposição crescente às mulheres de trabalho noturno antes proibido e de horários de trabalho desumanos e injustificados. Essas discriminações estendem-se e ameaçam generalizar-se à esfera da vida familiar. Para isso vêm contribuindo o enfraquecimento dos sistemas de saúde e de ensino públicos, as tentativas de redução da proteção à Maternidade e à Infância e a subversão de valores humanistas que animaram, entre outras, as lutas dos movimentos feministas e de outros movimentos de massas emancipadores e libertadores.

No quadro de crise também de valores em que se vive, muitos outros atavismos, de caráter machista, vêm ressurgindo e fazendo caminho, atingindo duramente as mulheres. A violência doméstica é talvez o exemplo mais chocante.

Num sentido ainda mais grave, a sociedade capitalista, que parece caminhar para um fim cheio de horror, vem de forma crescente transformando as mulheres em mercadoria - em primeiro lugar as jovens mulheres - assistindo-se à massificação e banalização da pornografia, da prostituição e de todos os tráficos mais repugnantes de que são objeto e vítimas. São negócios florescentes, que alimentam a respeitável Banca e a não menos respeitável Bolsa nos 5 continentes.

É neste contexto, de retrocesso e de negação de direitos conquistados, que os donos do Capital e os seus prestimosos representantes no poder político, se esforcem desde há anos para subverterem em seu favor e dos seus negócios, uma data e uma comemoração que, além do mais, os incomoda. Pretendem assim “comemorar” o 8 de Março com desfiles de moda, workshops de cabeleireiro e unhas de gel e outras atividades que, sendo legítimas e humanas noutros contextos, nada têm a ver com o espírito que esteve na origem e sempre presidiu às comemorações do Dia Internacional da Mulher.

Em coerência com o que atrás se disse, não podíamos deixar de usar esta tribuna para denunciar essa mascarada. E também para apelar à participação das mulheres na luta pelo direito à igualdade em todas as esferas da vida pessoal e pública, como forma de construção de uma sociedade mais democrática e mais humana.

 

Valongo, 29 de fevereiro de 2016

A Coligação Democrática Unitária

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