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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

QUE PRESENTE E QUE FUTURO PARA O RIO LEÇA?

06.10.14

Na memória de muitos Ermesindenses estarão com certeza imagens de um Rio chamado Leça que em muito pouco se parecerá com o atual.

Coincidência apenas no nome? Não, consequência de uma política que contemplava o ambiente sempre como o parente pobre. O Homem sempre se sentiu superior, achando que não dependia do ambiente. Viveu e vive reduzindo a sua existência ao consumismo, ao ter para parecer bem e não porque necessita. Toda esta vaidade levou ao consumismo desenfreado, com consequências gravíssimas para o ambiente. Não tenhamos a pretensão de pensar que o ambiente em Ermesinde está metido numa redoma na qual nada o afeta.

Assistimos, durante anos, com o desenvolvimento da agricultura (criação de gado), das indústrias (curtumes, tintas), com a construção civil, a verdadeiros atentados ambientais contra o Leça.

Os agricultores lançavam diretamente para o rio as descargas das vacarias assim como todo o tipo de lixo que resultava da sua atividade. As indústrias dos curtumes e as fábricas de tinturaria davam ao rio uma coloração diferente todos os dias, os construtores civis despejavam o entulho das obras. Não há rio que resista a tanta agressão.

Assistimos a promessas políticas dos autarcas de todos os concelhos atravessados pelo rio, nomeadamente Santo. Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos. Sempre fizeram questão de contemplar nas suas campanhas projectos mais ou menos vistosos que ficam sempre bem. Pena é que tudo seja esquecido na noite das eleições e muito pouco seja feito.

Não interessa olhar para o umbigo e pensar que a intervenção tem que ser feita “aqui neste pedacinho de rio”. Com certeza que não é novidade se referir que, para que haja uma verdadeira requalificação, a despoluição do Rio Leça terá que ser realizada de forma concertada, com todos os parceiros a trabalharem para o bem comum, não cedendo a interesses privados, através de um projecto longitudinal, com acompanhamento, fiscalização e também, o que não é não menos importante, com técnicos competentes.

Custa entender que quando do projecto “Corrente do rio Leça”, se tenha verificado o corte de vegetação ripícola, durante a época de reprodução de várias espécies, com a supervisão de técnicos da FCUP. Com certeza que algum benefício terá trazido para o rio, mas a curto prazo a vegetação estará igual, o rio continua poluído e o pouco que recuperou foi porque muitas das fontes poluidoras, devido à crise, deixaram de existir.

Pelo contrário, não custa entender a necessidade da requalificação hoje apresentada. Esta necessidade só surgiu porque no passado o rio foi intervencionado de forma ineficaz, com interesses dúbios e gastos de dinheiros públicos. Mais uma vez, não houve o apuramento das responsabilidades.

No que se relaciona com o projecto apresentado, há algumas questões que nos surgem como a da área a intervencionar. Qual o valor que está previsto gastar? De que forma efetiva vai beneficiar o rio? E se é, realmente uma prioridade? Mais uma vez alertamos para a necessidade de se realizar um trabalho integrado, de verdadeira parceria e em prol da população e do ambiente.

 

Ermesinde, 26 de Setembro de 2014

 

O Grupo da CDU