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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

ENTREVISTA A ADRIANO RIBEIRO, VEREADOR DA CDU NA CÂMARA DE VALONGO, SOBRE O PROBLEMA DO MOMENTO VIVIDO PELO S C DE CAMPO, QUE ENVOLVE UMA AMEAÇA DE PENHORA ÀS SUAS INSTALAÇÕES.

18.06.15

A situação da divida em Tribunal pelas obras do campo do S C de Campo, arrasta-se há bastante tempo; na tua opinião, qual é a justificação para isto?

O valor é tão irrisório para uma Câmara como a de Valongo, que nos obriga a tentar descobrir o que poderá estar por trás disto tudo.

Na tua opinião. Quem são os principais responsáveis por toda esta triste história?

Infelizmente tivemos a gestão PSD-Dr Fernando Melo a mais neste processo; porque andou durante 15 anos, a alegar que o alargamento do campo exigido pela AF do Porto não era possível, porque o PDM não permitia e por isso abandonaram o clube à sua sorte.

Alguém felizmente para o S C de Campo veio substituir e desmentir a gestão PSD-Fernando Melo, dizendo que em uma hora e com o mesmo PDM, resolveu um problema de 15 anos.

A CDU disse na altura, que o PSD levou 15 anos a resolver um problema que afinal se resolvia numa hora.

E o que é que isso tem a ver com o problema?

O abandono do Clube por parte da gestão PSD-Fernando Melo, obrigou o Clube a ter de ir jogar para Sobrado durante 2 anos, ao fim dos quais, por ser obrigado a jogar sempre fora de casa, teve de deixar de participar nos campeonatos de futebol sénior, durante 5 anos.

Mas finalmente deu-se inicio às obras do campo!

Finalmente mas tarde demais; porque com a interrupção na participação dos campeonatos de futebol, perdeu-se a ligação ao Clube, de muitos associados e apaixonados pelo S C de Campo, que ainda não reataram essa ligação antiga. E temos de atribuir à gestão PSD-Fernando Melo, o resultado dessa desagregação. Além disso, no rescaldo das obras efetuadas, o Clube acabou por ter um processo em tribunal.

Mas as obras já foram concluídas?

Minimamente , porque entre diversas carências que persistem na sede social do Clube e com o conhecimento da Câmara, há dependências onde a chuva entra sem pedir licença, apesar da Câmara continuar a dizer que está disponível mas apenas para dialogar, o que na realidade raramente acontece.

No rescaldo das obras de alargamento do campo, as já poucas condições existentes para  assistir a um jogo de futebol, foram bastante reduzidas.

Pois se existia um espaço onde até era possível aos associados resguardarem-se do sol ou da chuva durante os jogos; esse espaço com as obras desapareceu e é necessário ajudar a criar as condições mínimas, para que quer a prática do desporto, quer a assistência aos jogos de futebol, sejam garantidas e em condições de igualdade com as concedidas aos outros clubes do Concelho.

Mas para isso é preciso haver dinheiro

Neste caso o que falta principalmente, é a vontade a começar pelo diálogo.

Porque se existisse diálogo, as outras questões facilmente se resolviam por arrastamento.

Não haverá questões mais importantes a discutir do que um campo de futebol?

É bem verdade que há, principalmente os problemas da habitação Social no Concelho, onde a Câmara gastou apenas pouco mais de 40 mil Euros em 2014 e prevemos que nem isso em 2015.

Se compararmos estas verbas com as já gastas e as que se prevêm gastar em campos de futebol, verificamos que as prioridades desta Câmara não são de grande justiça social, tendo em conta a existência de uma imensidão de problemas neste sector que continuam por resolver e não são dados passos nesse sentido.

Voltando ao campo de futebol; tu pensas que isso é uma obrigação da Câmara e da Junta de Freguesia e não do clube?

O artigo 79 da Constituição da Republica define o seguinte:

  1. Todos têm direito à cultura física e ao desporto.
  2. Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e coletividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto.

E isto não é cumprido?

É evidente que não. Os clubes e neste caso o S C de Campo, assumem as funções de garantir à população desta freguesia, a prática do desporto, substituindo as obrigações do Estado ( neste caso, dos governos)

E não podemos esquecer que as autarquias também são Estado.

O resultado das eleições autárquicas veio interferir no rumo dos acontecimentos?

Para o S C de Campo, infelizmente foi eleito o Dr José Manuel Ribeiro.

Porquê? Porque não veio dar continuidade ao que tinha sido iniciado no mandato anterior e a

prometida mudança infelizmente para o S C de Campo foi para pior.

Pode-se estar a desenhar com José Manuel Ribeiro e o Vereador do desporto, um cenário igual ao criado por Fernando Melo que é: andar durante anos ou enquanto durar o processo em tribunal, a dizer que não pode ajudar e depois aparecer como salvador da pátria e a fazer aquilo que agora diz que não pode fazer. Se neste caso quisermos descobrir as diferenças de comportamento entre José Manuel Ribeiro e Fernando Melo, só se for à lupa.

Porque é que a CDU que tem um vereador, ou a maioria da oposição, para arrumar com esta questão não apresentam uma proposta na Câmara?

Porque não depende da maioria, mas sim do presidente e do vereador do desporto resolver este problema, o que quer dizer, que não adianta nada apresentar uma proposta porque o presidente não a aceita. Já foi garantido em reunião de vereação, que a maioria está de acordo com a solução deste problema; apenas o presidente e os vereadores do PS é que não o querem resolver.

Portanto, se o problema fosse esse, há muito que estava resolvido pela maioria da oposição.

Mas a CDU tem apresentado propostas nesse sentido?

Propostas?Recomendações?Perguntas?

Não tem conta as que fizemos desde há cerca de 15 anos. E fizemo-las sempre, sem ser  em épocas de eleições, para que não se pudessem agarrar a esse prtexto.

Porque se arrasta por tanto tempo um processo destes, quando outros processos bem mais

complicados e muito mais dispendiosos se vão resolvendo?

É bem verdade; já se resolveu o problema do Sobrado, com 200.000 Euros; está-se a negociar o campo dos Sonhos em Ermesinde, orçado em um milhão e duzentos mil euros; foi atribuído um subsidio de cem mil Euros ao Alfenense; é gasto ainda não se sabe quanto, na manutenção dos campos do Valonguense e Ermesinde, que não são propriedade do município.

Em nenhum destes casos, há um contrato para ter de se cumprir, mas apenas uma opção politica.

Já o caso do S C de Campo que envolve a ridícula verba de dez mil Euros e em obras feitas sobre a responsabilidade da Câmara não é resolvido, porque José Manuel Ribeiro diz que quer ver um contrato.

Se faz falta um contrato, porque é que não o faz?

José Manuel Ribeiro e os vereadores do PS não resolvem este caso porque não querem, porque é só a eles que compete resolver.

Há muita gente a dizer, que isto é tudo igual.

 Sim, mas da nossa parte não aceitamos isso.

Julguem-nos como quiserem, mas só se diz que é tudo igual, por ignorância ou má fé.

O PCP, até à Assembleia da Republica levou este caso, fazendo deslocar às instalações do clube, o deputado Honório novo, para que se inteirasse pessoalmente do assunto.

E na sequência dessa visita, foi apresentada uma proposta na Assembleia da Republica para que fosse incluída em PIDAC, uma verba para as obras do S C de Campo.

Só que a proposta do PCP,  não teve os votos favoráveis dos restantes partidos. 

Já lá diz o velho ditado: não há pior cego do que aquele que não quer ver.

Será que os presidentes de Junta do Concelho, têm tido um comportamento igual na defesa dos interesses dos clubes das suas terras na Assembleia Municipal?

Não; e se não, aqui está uma prova concludente de que não é tudo igual, porque há presidentes de Junta que têm levado a água ao seu moinho e outros, que não aproveitam a mesma água.

Basta reparar no papel do presidente da Junta de Alfena, em defesa do subsidio de 100.000 Euros que conseguiu para o Alfenense.

Para o S C de Campo?nem os míseros dez mil foram conseguidos.

Há quem diga que os partidos não se deviam meter nisto

Não é inocente a posição de dizer que os partidos não devem estar metidos nisto.

Porque quem o diz, normalmente está ligado aos partidos; mas aos partidos que contribuíram para que isto se fosse arrastando.

É uma forma de sacudir a água do capote.

E se foram os partidos através dos eleitos que escolheram, que criaram esta situação, têm de ser os partidos a emendar o erro cometido.

Mas claro que não se pode confiar essa missão aos partidos que causaram este mal, porque se não, é entregar o ouro ao bandido.

Os partidos têm que ser responsabilizados pelo mal que fizeram e pelo bem que é preciso fazer.

Porque são os partidos que indicam os candidatos que o povo depois escolhe e elege. Logo, os partidos têm de ser responsabilizados pelo mal que fizeram e pelas soluções possiveis e urgentes.

É na mão deles que também está a solução que, claro, o povo deve exigir.

Pensas que o caso em tribunal tem algumas consequências negativa para o clube?

Sem dúvida que tem, até porque já começam a estar à vista com o pedido de demissão da atual Direção.

E no futuro, é um grande obstáculo para que se consiga formar uma nova Direção.

Porque um futuro candidato a dirigente, se souber que o seu primeiro ato é pagar uma divida que não contraiu, pensa mais do que uma vez, se deve ou não assumir esse cargo.

Apesar dessa divida não ser coisa monstruosa e nada significativa para a Câmara Municipal.

Mas para o clube, torna-se num encargo demasiado pesado, para quem quer iniciar um mandato diretivo, a partir do zero.

E ainda com a agravante dessa divida, ter por trás a Câmara Municipal.

Mas ouve-se falar no arrelvamento do campo por parte da Câmara e até da Junta de Freguesia?

Se isso acontecesse, não seria mais do que um acto de justiça, se tivermos em conta o que está a ser feito com os outros clubes.

Mas repare-se: o que tem sido adiantado em relação a certas previsões, é que a Câmara prepara-se para adquirir o Estádio dos Sonhos por um valor que ultrapassa o milhão de Euros.

E que a seguir, será substituído o relvado natural daquele Estádio, por um relvado sintético.

Nesse arrelvamento, quantas  mais centenas de milhares de Euros em cima?

E o S C de Campo a continuar na fila de espera, porque dizem que o Orçamento não dá para tudo.

Mas também se fala que a Junta de Freguesia poderá adquirir o campo!  

Isso não passa de preparação de jogadas eleitorais.

Uma Junta de freguesia adquirir um campo de futebol? Onde se já viu isso?

Teria de ter à sua conta o arrelvamento e toda a manutenção do campo respetiva.

À custa de quê? De todo o Orçamento da Junta  que não teria dinheiro para fazer mais nada na freguesia, a não ser garantir o ordenado do Presidente.

Mas a junta de Campo e Sobrado não tem capacidade financeira para isso?

Não podemos esquecer que as despesas de capital da Junta de freguesia para Campo e Sobrado no ano de 2014, foram muito inferiores ao custo do arrelvamento do campo do Sobrado.

Além disso, era fazer um frete à Câmara da sua cor politica, para lhe possibilitar a fuga às suas responsabilidades.

Já não bastava ver as Câmaras a substituir os governos naquilo que é sua obrigação, para passar a ver também as juntas a substituir as Câmaras naquilo que é seu dever.

Mas se for uma promessa eleitoral?as promessas deviam de ser para cumprir.

Fernando Melo também em campanha eleitoral, até prometeu virar o campo ao contrário; mas ao contrário o que virou, foram as suas promessas de campanha eleitoral.

Será então falta de conhecimento da realidade que leva algumas vozes a defender essa possibilidade da junta de freguesia?

Quem alimenta essa mentira, devia de passar primeiro pelo papel de dirigente associativo, para perceber que a sua mentira é ainda maior, quando soubesse que só as despesas mensais de água e luz do S C de Campo, atingem os valores aproximados de 750,00 mensais e que é o clube que as suporta sem a ajuda de ninguém.

 

Consideras que o S C de Campo é vitima de discriminação?

Toda a gente sabe, que o clube tem sido ao longo dos tempos, o parente pobre nas relações Câmara de Valongo-Associações, apesar de ser um dos muito poucos no Concelho, que ainda possui como sua, a propriedade do campo de futebol.

Repito, muito poucos.

A minha dúvida é; se com um tratamento destes por parte das autarquias da nossa área, valerá a pena o sacrifício de lutar por ter o campo de futebol como propriedade própria, tendo em conta que quem não a tem, acaba por ser beneficiado

E é por isso também, que com frequência nós dizemos; que uns, são tratados como filhos e outros como enteados.

Se tu fosses presidente de Câmara, ou presidente de Junta, terias alguma dificuldade em resolver este problema?

Problema? Mas isto não é problema nenhum; garanto até, que nunca deixaria que isto chegasse onde chegou.

A primeira coisa que faria, era respeitar as indicações que constam na placa da Câmara ainda instalada à entrada do campo e que dizem: Obras de alargamento do parque de jogos do S C de Campo, a cargo da Câmara Municipal de Valongo.

Assim fossem todos os problemas como este, que só não se resolve, porque não querem resolver e porque há mais qualquer coisa por trás disto.

Mas o que se ouve dizer, é que a situação financeira não dará para muito mais.

Pois; mas o vereador do desporto (em noticia do Verdadeiro Olhar) ainda agora num almoço com uma comitiva do Ermesinde, prometeu que espera que em Agosto tenha o problema do Ermesinde resolvido.

Se quisermos comparar a dimensão de uma e outra questão, continuamos a ficar sem perceber porque é que o assunto do S C de Campo continua a ser ignorado.

 

E agora o que é necessário fazer?

O que resta, é relembrar que esta questão está nas mãos dos autarcas socialistas, que até aqui, são os únicos renitentes em não resolver o problema do S C de Campo que não tem sentido nenhum de existir.  

 

Nesta entrevista deixas bem claro a tua costela de adepto do S C de Campo!

Mas isso é mais do que evidente.

Porque para além de Vereador que sou, tenho o direito de gostar do clube da minha terra e que acompanho desde menino.

Desde sempre associado, cheguei a ser atleta e fui até, Presidente da Direção.

E diversas vezes, presidente da Mesa da Assembleia Geral.

O que é uma forte razão para poder afirmar, que conheço este problema desde a sua nascença e por isso, sei daquilo que estou a falar.