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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

AF Ermesinde - Comemorações do 25 de Abril

26.04.15

Sr.es Presidente da Assembleia e da Junta de Freguesia

Senhores membros da Assembleia e da Junta

Caros concidadãos

 

Quando se deu a Revolução de 25 de Abril, de que comemoramos agora os 41 anos, estava no fim a grande vaga de emigração que tivera início no fim dos anos de 1950. Gente válida, trabalhadora, famílias inteiras, fugidas à miséria dos meios rurais e mesmo de algumas áreas urbanas. A sangria, resultado da política de miséria do fascismo, durara vinte anos e deixara para trás um vazio irremediável e o país ainda mais pobre.

Prosseguia ainda outro tipo de emigração, tão dramática como a primeira, dos jovens que se recusavam a fazer a guerra colonial, que se arrastava havia 13 longos e dolorosos anos e dos adversários do regime, muitos deles já então quadros qualificados. Eram os nossos anos de chumbo, pesados, manchados de sangue e de angústia.

A revolução, generosa, popular, varreu o país de ponta a ponta, libertou forças e energias escondidas, reprimidas, libertou a voz há tanto presa nas gargantas, fez renascer a esperança. Permitiu o regresso de muitos, forçados a abandonar a terra, por motivos económicos, por discordâncias políticas, por recusa a matar e a morrer numa guerra sem sentido.

25 de Abril quis e ainda quer dizer mudança, profunda e generosa, quer dizer esperança, quer dizer projeto, quer dizer Liberdade, quer dizer valores humanistas e democráticos, quer dizer partilha com justiça dos bens produzidos.

Mas nunca quis dizer fome, ou desemprego, ou emigração, ou participação em novas guerras, ou futuro incerto para os que trabalharam uma vida inteira e para os que precisam agora de se iniciar nos caminhos da vida ativa e se vêm forçados a sair do país para, melhor ou pior, o conseguirem. Não, essas palavras não fazem parte do léxico dos valores da Revolução de 25 de Abril.

Passados 40 anos, estamos outra vez confrontados com nova e persistente vaga de emigração. Resultado da ação desastrosa e persistente de governos e de políticas que, em desfavor de todas as classes trabalhadoras e do país, meteram na gaveta os valores do 25 de Abril.

Nos últimos anos saíram de Portugal à procura de trabalho e vida no estrangeiro, perto de 400 mil pessoas, jovens na sua maioria. Mas também muitos, menos jovens, com vidas organizadas se viram de repente privados de meios de subsistência e foram forçados a deixar tudo para trás para não irem à esmola. A tragédia continua. Os efeitos da atual vaga de emigração serão ainda mais funestos para o futuro imediato do país, pois esta é a vaga de emigração dos quadros técnicos e científicos, dos que estudaram aprenderam profissões qualificadas e se prepararam para participarem no desenvolvimento de um país progressivo e soberano e a quem é recusada essa possibilidade.

Não é nada disto que está inscrito nos valores do 25 de Abril, mas é pelo contrário, a consequência do abandono do seu projeto democrático e libertador. O que talvez explique a confusão de muitos, mais jovens e já não tão jovens, nascidos depois do 25 de Abril ou que eram então crianças, que pretendem que o 25 de Abril já não lhes diz nada, se é que alguma vez disse…

Concluo, com a convicção de que só a retomada dos caminhos e dos valores do 25 de Abril, permitirá ao país sair da profunda crise social, económica e até moral em que se encontra e criar as condições para o desenvolvimento de todos, que é a condição básica e indispensável para o desenvolvimento de cada um.

Viva o 25 de Abril!

 

Os eleitos pelo Partido Comunista Português na AF de Ermesinde