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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

Artigo de Opinião - A rivalidade ps-psd em concreto

19.09.07
No “a talho de foice” do avante, publicava em 9/8/2007, um artigo de Henrique Custódio, intitulado "Imaginemos
Baseava-se o articulista em hipotéticos cenários, que poderiam resultar na constituição do executivo camarário, saído das últimas eleições de 15 de Julho para a câmara de Lisboa e comparava-os com o recente (des)arranjo governativo de Timor.

Da imaginação à realidade

Em 1997 e embalado pela conquista da câmara de Valongo ao PS no mandato que então findava, o PSD investiu forte e feio na conquista da junta de Campo: ofereceu electrodomésticos, camisas para fardamentos, projectos para casas de banho às colectividades (feitos para todos os gostos e feitios em cima do joelho), oferta de almoços e jantares ao kilómetro, etc.

Mas as suas contas no final saíram furadas e o resultado ditou que ganhasse o PS mas sem maioria absoluta, o que logicamente forçou a busca de consensos, para a constituição do executivo.

Na abordagem interpartidária que se seguiu, para a solução desse mesmo problema, foi proposto à CDU pelo PSD, um entendimento entre ambos, que resultasse num executivo constituído por: presidente PS; 2 vogais PSD e 2 vogais CDU.

 É clarinho como a água, (só o PSD não via) que tal proposta só serviria os desígnios do PS, porque tal executivo a ser assim constituído, iria servir de pretexto, para que no final do mandato, o Presidente justificasse com o seu isolamento, o abandono a que a freguesia de Campo tem sido sujeita por parte da câmara PS ou PSD, aliado à falta de iniciativa por parte da Junta de Campo (sempre PS), que se verificaram ao longo de todos estes anos.

Assim sendo, a essa proposta respondeu a CDU, que respeitava a vontade popular e como a população não deu maioria absoluta a ninguém, apenas reivindicaria para si, a proporção do resultado eleitoral que obtivera.

No prosseguimento da ronda de abordagens, teve a CDU com o PS a mesma postura e rejeitou a proposta na qual se pretendia deixar o PSD de fora. Desta forma, o executivo ficou com 2 elementos do PS, 2 do PSD e 1 da CDU.

Desse mandato quanto a nós, o que mais houve de positivo a destacar, foi o total empenhamento da CDU, nas tarefas que lhe foram distribuídas; e de negativo, a recusa do PSD em assumir qualquer pelouro no executivo, tornando numa nulidade a sua participação.

 

Em 2001, nas eleições seguintes, os resultados foram mais ou menos idênticos, o que obrigou às mesmas diligências de 1997, apenas com uma diferença: os 4 anos que para trás ficaram, aprofundaram os azedumes entre eleitos do PS e do PSD e por esse facto apareceu logo o PS a propôr à CDU, a exclusão do PSD do executivo, de forma ao executivo ficar constituído por: 3 elementos do PS e 2 da CDU.

Em perfeita coerência, a posição da CDU, foi a de que a população mais uma vez não deu maioria absoluta a ninguém e por isso mesmo, não seria a CDU a fazê-lo na secretaria, desta feita o executivo ficou constitúido por: 2 elementos do PS, 2 elementos do PSD e 1 da CDU.

No início desse mandato o PS tudo fez, para que os membros do PSD no executivo fossem excluídos, com a marcação inclusivé das reuniões da junta, para as quintas feiras de manhã, com a finalidade de criar obstáculos à sua participação e sua consequente perda de mandato.

Durou meses esta insólita situação, só se normalizando com a intervenção da CDU, que apresentou uma proposta para que as reuniões passassem, como anteriormente, para as quintas feiras à noite, proposta que só foi aprovada, porque contou com os votos dos elementos do PSD, embora contrariados e porquê?

 Porque ao PSD convinha-lhe manter esta situação, para que no final do mandato, com aqueles impedimentos todos, pudessem vir a justificar, o fiasco que veio a ser a sua participação de 4 anos.

Só que foram encostados à parede. Votar contra ou abster-se na proposta da CDU só por que lhes convinha, era muito complicado!!!   

A confirmação desta tese, está em que mais uma vez os eleitos do PSD no executivo, se recusaram a assumir qualquer cargo, ocupando 2 lugares que poderiam ser preenchidos por quem estivesse disponível para trabalhar para a freguesia, como é obrigação de quem se candidata; mas como não assumiram qualquer responsabilidade a população no final reparou nisso!

            Mas é também a partir daqui, que quer PS, quer PSD, se começaram a aperceber, que a CDU não está nas autarquias para fazer o jogo pessoal de ninguém, mas sim apenas para estar ao serviço da população.

E por isso mesmo, eles decidiram alterar as regras do seu próprio jogo e como?

Das quase vias de facto entre eles no início, passaram a amigalhaços; e da rivalidade virtual, que pretendem fazer crer talvez até atenham passado ao encobrimento de esquemas para fugas ao fisco, ao que parece até há penhoras de vencimentos à mistura. Tudo isto constituiu um entendimento politico perfeito e à vista de todos, ao ponto de nas últimas eleições autárquicas de Outubro de 2005, PS e PSD, cozinharem entre si um acordo, sem se darem sequer ao trabalho de consultar a CDU, de constituírem um executivo de maioria “absolutíssima”, com 4 PS-1 PSD, excluindo a CDU.

O artigo do avante: o (des)arranjo governativo de Timor e este pequeno exemplo de campo, trazem claramente à evidência, que servilismo e incoerência, são coisas que não conhecem fronteiras; e que em todo o lado há gente, que não olha a meios para atingir os fins. São estas atitudes que por si só, são o suficiente para provar e desmentir aqueles que querem fazer crer, que todos os partidos são iguais.

Agora é que eles não são!


Adriano ribeiro