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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

A Casa do Anjo S. Miguel

30.07.05
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A casa do Anjo S. Miguel, classificada como imóvel de interesse público pelo Decreto Lei 29/84 de 25 de Junho de 1984, data, segundo a inscrição na fachada do edifício de 1766 (MDCCLXVI), e deve o seu nome à imagem de S. Miguel, que se encontra inserida no nicho do andar nobre. Do edifício destaca-se a fachada adornada por molduras de contra-volutas e folheados volumosos que contornam as portas e as janelas.

Único edifício de Valongo classificado como imóvel de interesse público, figura no cadastro do IPPAR com a seguinte descrição:

Inscrita na malha urbana de Valongo, a casa do Anjo São Miguel destaca-se pela fachada totalmente revestida a cantaria, em contraste com outras que a ladeiam e onde, já o século XX, foram aplicados pequenos azulejos rectangulares monocromáticos.
São muito escassas as informações relativas a este imóvel, conhecendo-se apenas a data da sua edificação, em 1766 (PACHECO, p.197), conforme a inscrição presente na cartela sobre a porta principal.
O frontispício, de dois andares, é aberto por uma porta e uma janela, no piso térreo, e outras duas, de sacada, no andar superior. Todos os vãos são de linhas rectas e a janela inferior exibe moldura com avental trabalhado, e uma vieira no lintel. Ganham especial relevância as mísulas que suportam a varanda, cujos remates são esculpidos como rostos.
Como era habitual na arquitectura civil setecentista, o piso nobre beneficiava de um tratamento mais cuidado, que no caso deste imóvel se manifesta nos brincos das ombreiras e na cornija, volumosa. Esta, forma um semicírculo na área que existe entre as janelas de sacada, acolhendo e conferindo um maior destaque à escultura de São Miguel, à qual a casa deve a sua designação. A iconografia seguida na execução desta imagem é a que tradicionalmente se relaciona com o arcanjo, e que representa S. Miguel combatendo o dragão. De facto, observamos aqui a figura do anjo, erguido sobre o dragão, e a segurar a lança que projecta sobre o animal numa das mãos, enquanto, na outra, deveria pender uma balança, alusiva à condenação e à salvação. Este episódio pode encontrar-se nos seguintes versículos do Apocalipse (Ap. 2, 7-9): "Depois, travou-se uma batalha no céu: Miguel e seus anjos declaram guerra ao Dragão. O Dragão e os seus anjos combateram, mas não resistiram. E nunca mais encontraram lugar no céu: o grande Dragão - a serpente antiga - a que chamam também Diabo e Satanás - o sedutor de toda a humanidade, foi lançado à terra; e com ele foram lançados também os seus anjos".
Apostas à cornija, e no eixo dos vãos, encontram-se ainda duas cartelas de elementos concheados. No interior, apenas uma das salas do andar nobre apresenta tecto em masseira e uma fonte-lavabo, em granito.
Sem a imponência de um grande solar urbano, e sem a ostentação de poder conferida pelos elementos heráldicos destas habitações, a casa do Anjo São Miguel destaca-se, exactamente, pela figura que lhe dá o nome, e que constitui uma espécie de registo (boa parte dos quais em azulejo), em que São Miguel é, muito possivelmente, invocado como protector desta casa. (Rosário Carvalho)


As fotografias incluídas são elucidativas do estado de abandono e degradação em que se encontra actualmente a Casa do Anjo S. Miguel, e demonstram claramente que a preservação do património arquitectónico não constitui uma prioridade do executivo do Sr. Fernando Melo, que prefere apostar pelo “novo” - Nova Valongo, Nova Ermesinde, etc. - não manifestando qualquer interesse na conservação do “velho” património artístico e arquitectónico do concelho.
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O mesmo se poderia dizer em relação ao antigo edifício dos Bombeiros Voluntários de Valongo, situado frente à “nova” praça que veio tristemente substituir o antigo largo da feira. Este edifício albergou também durante décadas o Cine-teatro de Valongo, encontrando-se actualmente em acelerado estado de degradação, servindo ocasionalmente como armazém de materiais de construção:
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Também neste caso é manifesto o desinteresse da autarquia pela possibilidade de utilização do edifício como espaço cultural e de lazer que possa servir de complemento aos equipamentos existentes, e pela preservação inteligente de um imóvel que faz parte da história da nossa vila e da memória de todos os valonguenses...
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