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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

Conferência de Imprensa da CDU/Valongo (09-01-2006) - Comunicado

10.01.06
Ermesinde, 9 de Janeiro de 2006


Ex.mos/as Srs./as Jornalistas,


Muito se tem dito e escrito acerca dos desenvolvimentos recentes do processo de aprovação do Orçamento e Grandes Opções do Plano da Câmara Municipal de Valongo para o ano de 2006.

O executivo camarário, por um lado, mostra clara impaciência, ao mesmo tempo que demonstra pouca disponibilidade para discutir com as forças da Oposição as alterações necessárias à elaboração de um Orçamento e de um Plano de Actividades participado e realmente orientado para a superação dos graves problemas sociais e económicos do concelho de Valongo.

O PS, por seu turno, tem procurado cavalgar o actual momento político, sem, contudo, mostrar provas de querer contribuir para o debate democrático e para a resolução dos problemas, numa clara opção pela "política de terra queimada", sem outro projecto que não seja o de conquistar o poder pelo poder.

As razões que levaram os eleitos da CDU a rejeitar a proposta de Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2006 apresentada na Assembleia Municipal do passado dia 28 de Dezembro pelo executivo de Fernando Melo são sobejamente conhecidas. Foram claramente explicitadas na intervenção de José Deolindo Caetano e tornadas públicas nesse mesmo dia, através de comunicado à imprensa. Ainda assim, vale a pena recuperar alguns dos argumentos que levaram a CDU a tomar tal decisão.

Desde logo, pela falta de debate democrático e de envolvimento da Oposição na construção daqueles que são, sem sombra de dúvida, os documentos mais importantes para a actuação de uma Câmara Municipal.

Depois, porque o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2006 apresentadas pelo executivo camarário prosseguem, no essencial, o desastroso modelo de desenvolvimento seguido pelo PSD ao longo dos últimos doze anos, um modelo de desenvolvimento baseado no crescimento imobiliário sem critério e na negligência da intervenção em domínios essenciais como a criação de emprego, a acção social, a educação, a cultura e o desporto, domínios centrais de qualificação das condições de vida das populações e de aprofundamento da sua ligação ao concelho.

Depois ainda, porque o Orçamento assenta em previsões irrealistas da receita e na procura desesperada de receitas extraordinárias, o que se traduz na aposta em mais betão e em operações no mínimo incompreensíveis como a da alienação do Edifício Multiusos construído em Ermesinde ao abrigo do Programa Polis.

A obtenção e o alargamento das fontes de receita não é, em si, um problema; o que acontece com esta Câmara – e isso é algo que os munícipes terão de suportar nos próximos anos – é que está a pagar com juros o despesismo do passado recente: a viver acima das suas possibilidades durante doze anos, com opções erradas e projectos megalómanos como a Nova Valongo, o executivo camarário de Fernando Melo comprometeu muitas das possibilidades de desenvolvimento sustentável do concelho de Valongo.

Ademais, as opções e apostas preconizadas por este Orçamento e Plano acertam totalmente ao lado das necessidades actuais do concelho, como o comprovam o Diagnóstico Social e o Plano de Desenvolvimento Social recentemente apresentados pelo Conselho Local de Acção Social.

Estes importantes documentos foram, aliás, totalmente ignorados pela Câmara Municipal, que não mostrou o mínimo interesse em integrar as suas conclusões na proposta de Orçamento e nas Grandes Opções do Plano para 2006. Tal facto é, no mínimo, incompreensível. Se há que racionalizar meios e verbas, por que razão não aposta a Câmara Municipal naquelas que são as prioridades de intervenção diagnosticadas?

Um outro aspecto que a CDU não pode deixar de analisar é o posicionamento do Partido Socialista em todo este processo. A população do concelho atribuiu ao PS quatro vereadores, pelo que a assunção de tais responsabilidades obriga-o à apresentação de propostas para a melhoria do Orçamento e Plano de Actividades.

Quanto ao posicionamento da CDU relativamente ao futuro, ele não podia ser mais claro.

A CDU é uma força política responsável e está na política para servir as populações. Em coerência com esse princípio, apoiamos sempre todas as medidas e opções, mesmo que venham de outras forças políticas, que visem a promoção do bem-estar das populações. Estaremos, pois, sempre disponíveis para contribuir para a melhoria destes documentos, bem como para a elaboração e concretização de outras medidas favoráveis às populações. O concelho de Valongo ganhará certamente com o aprofundamento da democracia e do debate em torno do seu futuro.

A CDU não será, contudo, muleta de ninguém. Nem da Câmara Municipal, nem das ambições mais ou menos ambíguas do PS. A posição da CDU será sempre a de analisar, à luz do seu projecto de desenvolvimento para o concelho e dos princípios que sempre nortearam a intervenção dos seus eleitos, as propostas vindas a público, tendo como única e exclusiva bitola o interesse das populações e a luta pelo reforço da sua qualidade de vida. É, foi e será sempre essa a nossa atitude, enquanto força política que honra os seus compromissos e que funda a sua actuação nos valores do trabalho, da honestidade e da competência.


A Coordenadora da CDU/Valongo