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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

Comemorações do 25 de Abril - Intervenção da CDU

25.04.11

Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Ermesinde,

Senhores Membros do Executivo,

Senhor Presidente da Assembleia de Freguesia de Ermesinde e Membros da Assembleia,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Comemoramos hoje 37 anos sobre a revolução de 25 de Abril de 1974. Trata-se de uma data que, por mais secundarizada ou diminuída que seja, constituirá sempre uma referência incontornável da história do nosso país, enquanto data de inauguração da democracia e de abertura de um caminho de esperança no desenvolvimento, no progresso e na prosperidade do povo português.

Para muitos, porém, volvidos estes 37 anos, o momento é de impasse e o sentimento de dúvida e temor. Muitos dos que participaram na revolução e que acreditaram que com ela se abria um inevitável período de melhoria do quadro de vida dos portugueses estão hoje frustrados, desesperançados, alguns até – pasme-se! – arrependidos.

Para alguns, na verdade saudosistas que sempre resistiram aos ideais e conquistas de Abril, as condições actuais criam uma janela de oportunidade para um aproveitamento mesquinho das debilidades da memória colectiva e das dificuldades com que nos confrontamos presentemente. Afinal, a culpa dos nossos males seria da revolução e não dos quase cinquenta anos de atraso e opressão fascista.

Quanto às gerações nascidas após Abril de 1974, que hoje manifestam publicamente a sua frustração face às dificuldades de cumprimento das suas expectativas profissionais e pessoais, desacreditando dos políticos e, em geral, das virtualidades da acção política, a perspectiva sobre a realidade é nebulosa. As queixas relativamente à situação que vivemos – que não deixam, como é óbvio, de ser legítimas – não conseguem encontrar contrapartida num legado sólido de valores e ambições, num projecto de sociedade alternativo, numa identificação clara dos responsáveis pelo estado de coisas.

Mas, afinal, quem são os responsáveis por esta frustração acumulada? Melhor, quem são os responsáveis pela situação na sua origem?

A política torna-se um lugar estranho quando não tem memória, identidade e projecto. Estes três elementos são fundamentais para desnaturalizar a história, isto é, para mostrar claramente que a realidade só em aparência é “inevitável” ou “irreversível”. O que aqueles que há 35 anos governam o país têm feito é exactamente ocultar, subverter, eliminar a memória, a identidade e o projecto de Abril de 1974. E, sem estes elementos, fica a aparente inevitabilidade da situação, a incerteza quanto ao futuro, a incapacidade para perceber o que nos aconteceu. O que nos aconteceu, porém, tem responsáveis, como se pode facilmente confirmar se pensarmos brevemente no modo como paulatina e sistematicamente se destruíram direitos sociais e laborais, se desorganizaram os trabalhadores, se defenderam em todas as ocasiões os interesses das classes dominantes, se destruiu a produção nacional, aumentando a nossa dependência face ao exterior – de que hoje tanto se fala –, se centralizou o aparelho de Estado e se diminuiu a capacidade de actuação, por exemplo, do Poder Local.

Chamam-lhe agora “arco do poder”. Talvez se devesse falar num “circuito fechado do poder”. Numa espiral de promessas não cumpridas, expectativas frustradas e abdicação de soberania, os partidos deste circuito fechado do poder, responsáveis pela situação com que nos confrontamos hoje, foram alienando as pessoas da política, impondo paulatinamente a resignação e o medo. Numa óptica de mera gestão da crise, escusando-se nas incapacidades dos líderes de circunstância, nas indicações de técnicos, economistas e outros pseudo-entendedores, estes partidos fizeram da sua missão de representação democrática letra morta, limitando-se a governar em favor dos interesses dos ricos, dos poderosos, dos grupos económicos e financeiros que, sustentados pelo Estado, tudo fazem para o desacreditar e para se apoderarem dos seus bens e recursos.

Numa altura em que o país recebe aqueles que, aparecendo agora como “salvadores”, foram os que, com a preciosa colaboração dos partidos do dito arco de poder, impuseram à nossa economia e à nossa política o rumo que acentuou a nossa dependência externa e o nosso endividamento, o desânimo instala-se, à medida que nos é dito que nada há a fazer relativamente à situação que vivemos e aos inevitáveis sacrifícios que teremos de fazer (sacrifícios que sabemos que serão muito mal repartidos…).

Como o PCP tem acentuado, Portugal e os portugueses não estão condenados a ter que aceitar que aqueles que há 35 anos afundam o país prossigam a sua obra – e as eleições de 5 de Junho constituem uma oportunidade para os trabalhadores e para o povo fazerem ouvir a sua voz e afirmarem a exigência da necessária e indispensável ruptura com esta política, com o rumo de declínio, injustiça e empobrecimento que temos percorrido.

Aos desiludidos e desencantados com as sucessivas traições dos partidos em que votaram, com o rumo do país pós-Abril, é necessário dizer que têm agora uma oportunidade para alterar o rumo a que nos querem sujeitar. É imprescindível que se diga que há alternativas a esta situação, há alternativas à recessão económica, à dependência externa, ao aumento do desemprego, ao agravamento das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo. Essas alternativas passam pela aposta na produção nacional, pela dinamização do nosso aparelho produtivo, pela criação de emprego, pelo aumento de salários e pensões, pelo investimento público reprodutivo, pelo fim das privatizações. São alternativas que mais não são, afinal, do que as alternativas que o 25 de Abril de 1974 nos ofereceu. A memória, a identidade e o projecto de que o país precisa, de que a política portuguesa precisa para voltar a ser o espaço de democracia e emancipação que se impõe que seja, é a memória, a identidade e o projecto de Abril. A alternativa existe, portanto. Saibamos pô-la em prática.

 

Viva o 25 de Abril!

Viva Portugal!

 

 

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