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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

Dia Internacional da Mulher

08.03.11

 

“(…) A apropriação da ciência pelo capitalismo continua, pois, em marcha, com vista a demonstrar os fundamentos naturais da inferioridade de um dos sexos e da inferioridade dos pobres.

 

A plasticidade do cérebro, apto a funcionar em determinadas direcções pela programação dos circuitos de neurónios (circuitos que em 90% dos casos só após o nascimento se formam, mesmo ainda na idade adulta) é coisa subversiva.

 

Porque nega a existência de diferenças entre os seres humanos, entre os sexos, e prova, tal plasticidade, a influência das condições sociais e económicas na formação de uma mulher. Na construção de um pobre.

 

As pesquisas feitas com base nas novas técnicas de investigação sobre cérebros vivos provam que a aprendizagem de uma língua, a prática da música e o treino de memorização do espaço, modificam a estrutura e o funcionamento dos circuitos do cérebro.

 

E se assim não fosse, se os circuitos de neurónios não fossem influenciados pelas condições históricas, sociais e culturais, porque razão é que, no que toca ás aptidões espaciais, verbais e matemáticas de cada sexo, as diferenças só se começam a manifestar na adolescência e não antes?

 

Uma questão de hormonas?

 

 

Mas então, porque é que as pesquisas, de há 20 anos para cá, mostram uma redução progressiva das diferenças de “performance” entre os sexos (fenómeno que acompanha a integração, cada vez maior, da mulher, na vida social e profissional?

 

No meu processo de aprendizagem da questão feminina, que seguramente contribui para a formação de novos micro-circuitos de neurónios, tenho-me confrontado com a constatação de que alguns movimentos que se reclamam do feminismo, caíram na aceitação fácil da teoria da diferença como uma grande ideia da modernidade.

 

Mas a Ciência, a Ciência com um C grande, demonstra que se trata de uma ideia senil. Uma ideia forjada no grande arsenal de mistificação de que dispõe o Capitalismo.

    

Para combater o materialismo dialéctico. Para combater a luta de classes.

 

Todas as Luísas deste mundo, todos os pobres do planeta, estariam irremediavelmente relegados para as margens da história onde esmolariam medidas positivas aos senhores do Mundo. Aos naturalmente fortes e inteligentes.

 

O Feminismo de hoje, nesta forma obsoleta de aceitação das desigualdades através do direito à diferença, por vezes serviu de entrave à luta das mulheres pelo direito à igualdade”.

 

Odete Santos, A argamassa dos poemas, 2002

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