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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

Audição Pública sobre o Rio Leça: algumas conclusões

23.03.09

A CDU do concelho de Valongo realizou no passado Sábado, dia 21 de Março, no Auditório da Junta de Freguesia de Ermesinde, uma Audição Pública sobre o Rio Leça, principal curso de água do concelho e um dos principais recursos hídricos da Área Metropolitana do Porto.

 

Moderada por Sónia Sousa, eleita na Junta de Freguesia de Ermesinde e candidata da CDU à Presidência da mesma Junta nas eleições autárquicas deste ano, a Audição contou com a presença do docente e investigador do ICBAS-UP Adriano Bordalo e Sá, reputado hidrobiólogo e profundo conhecedor da evolução, ao longo das últimas décadas, da situação do Rio Leça.

 

Perante uma plateia que rondou a meia centena de pessoas, Bordalo e Sá destacou, entre outros, o facto de o Rio Leça ter vindo a ser sujeito a uma pressão urbana crescente ao longo das últimas décadas, a qual não foi acompanhada de planos articulados tendo em vista a sua conservação. Sendo o único rio que nasce, corre e desagua exclusivamente dentro da Grande Área Metropolitana do Porto, seria de esperar que fosse mais fácil conjugar esforços no sentido da sua recuperação.

 

Tal, porém, não tem acontecido.

 

Há 2 anos, a AMP mostrou interesse em procurar competências na UP para tentar recuparar o rio. A UP via neste projecto também uma possibilidade de contribuir para a recuperação de
outros rios, a partir do modelo que a equipa do ICBAS propunha para o Leça. O projecto abrangeria toda a bacia do Leça, da nascente à foz. Uma equipa coordenada por Bordalo e Sá desenvolveu trabalho de investigação neste sentido, mas depois esse trabalho não teve sequência no plano político. A Directiva Europeia Quadro da Água obrigava a limpar o Leça até 2005. O Plano de Bacia do Leça devia estar em discussão pública e não está sequer feito. Entretanto, o Leça continua com um índice de qualidade da água péssimo (da nascente até à foz) e é responsável, entre outras consequências, por parte importante da poluição das praias de Matosinhos.

 

Uma das principais conclusões desta Audição foi a de que é necessário e urgente um plano integrado de reabilitação do Leça. Há  vantagem de poder ser tudo decidido pela AMP, a quem foi entregue, em Julho de 2007, o Plano Integrado Ambiental do Rio Leça, que continua por executar. A AMP não pagou este plano; foi o Instituto de Ciências Biomédicas
Abel Salazar da UP que suportou todas as despesas.

 

Quanto ao projecto em curso no concelho de Valongo, designado "Corrente Rio Leça", o que
se sublinhou foi que qualquer plano neste domínio deve ser integrado. O projecto "Corrente Rio Leça" é realizado apenas em Valongo e tem focado atenções na limpeza de margens e recolha de lixo, bem como detecção de fontes poluidoras. Matosinhos tem planos parecidos ainda não executados, bem como a Maia. Projectos parcelares, porém, não fazem o todo. Não há, por exemplo, uma candidatura global no quadro do QREN, que a AMP devia aproveitar para a reabilitação do Leça. Devia ser um projecto-piloto que servisse de ensinamento para outros rios portugueses e não vai ser possível a sua realização por falta de vontade política.

 

Não obstante estes problemas, Bordalo e Sá não deixou cair a esperança numa alteração
positiva da situação em que o Leça caiu: "o futuro do Leça pode não vir a ser brilhante, mas será, se se quiser, sem dúvida bem melhor".

 

 

A Coordenadora da CDU/Valongo