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CDU Valongo

Página informativa sobre a atividade da CDU no concelho de Valongo.

XVIII Congresso do PCP - A opinião de um delegado

04.12.08

Fui proposto e eleito mais uma vez – a quinta – para delegado a um Congresso do Partido Comunista Português, neste caso o XVIII Congresso.

 
As dificuldades pessoais de diversos camaradas da organização de Campo do PCP impediram que alguns deles pudessem (justamente) alargar a lista a propor para a eleição de delegados a este Congresso. Porque, a meu ver, deveriam ser propostos – como aconteceu – para delegados ao Congresso todos os camaradas que melhor se identificassem e conseguissem veicular a orientação e actividade do Partido no período que mediou entre o congresso anterior e o congresso que agora se realizou e que mostrassem melhores condições para garantir na organização o empenho necessário à condução e garantia dos objectivos traçados pelo Congresso para o período que mediará entre os XVIII e XIX Congressos, sabendo-se que, para alguns dos camaradas de Campo, as dificuldades ditadas pela lei da vida e relacionadas com a sua saúde infelizmente vão aumentar, com toda a certeza.
 
Embora possa estar a correr o risco de ser juiz em causa própria, considero que a proposta apresentada e aprovada pela Assembleia de Organização correspondeu, a meu ver, aos pressupostos que devem presidir ao critério de avaliação de tal iniciativa. Ser delegado ao Congresso do PCP não pode ser visto como um fim em si, nem como a obtenção de um prémio, como se de uma rifa qualquer se tratasse. Tampouco esta tarefa está relacionada com a obediência a um calendário de rotatividade por nós estipulado, ao jeito de: “ora agora vais lá tu, amanhã lá irei eu”. Pois, se assim fosse, corria-se o risco de muitos dos “contemplados” com esse objectivo atingido ostentarem na sua prateleira de troféus de sueca ou de bilhar de um qualquer torneio uma lembrança, como um galhardete vulgar a significar a sua presença no Congresso do Partido, realizado na FIL, em Lisboa, em 1976, ou no Barreiro, em 1980, etc., dando-se por concluída a sua actividade, uma vez atingido tal fim. Até porque, a serem subvertidos os princípios que devem nortear a eleição dos delegados a um Congresso do PCP, aí sim, se desmotivaria tudo e todos: estaríamos a antecipar em quatro anos as conclusões da assembleia de organização para eleição de delegados ao Congresso seguinte, já que antecipadamente teríamos perfilado os delegados ao Congresso para quatro anos depois.
 
Ao abrigo dos nossos critérios, a eleição de um delegado ao Congresso deve ser vista como um meio, como mais uma tarefa, na actividade de qualquer militante do Partido. E ser vista simultaneamente como um acto de justiça e um incentivo capaz de ter em conta os dois períodos mais imediatos, o próximo passado e o próximo futuro.
 
Dentro dos critérios adoptados pelo Partido a que eu há mais de metade da minha vida livremente aderi, fui eleito delegado ao XVIII Congresso do PCP. Congresso que, contrariamente ao que poderá ter sido propalado por quem o noticiou (deturpando, vasculhando... sendo frustrado pelo próprio Congresso!), representou na realidade uma importante jornada de reflexão, luta e solidariedade.
 
Reforço na defesa dos nossos princípios;
Elevação da consciência cívica, política e de classe e afirmação dos objectivos a que nos propomos;
E um passo importante para que o povo português possa fazer frente à arrogância e à destruição das conquistas democráticas que, na senda de outros governos, mais um, este agora do PS, está apostado em levar a cabo.
 
Ser delegado ao XVIII Congresso foi uma tarefa de elevada honra e que orgulhosamente aceitei. E tudo farei para que, na próxima assembleia para eleição de delegados a um Congresso do PCP, pelas mesmas razões por que eu justamente considero que fui eleito delegado ao XVIII, seja incluído na lista de candidatos a possíveis delegados ao XIX. Fazendo, porém, votos de que, também justamente, eu não seja eleito.
 
Adriano Ribeiro